Editora Rana Tharu https://editoraranatharu.com.br/ Conectando pessoas às suas memórias Sat, 14 Jun 2025 12:14:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://editoraranatharu.com.br/wp-content/uploads/2023/06/cropped-favicon-32x32.png Editora Rana Tharu https://editoraranatharu.com.br/ 32 32 Memórias Têxteis sem fronteiras: uma imersão nas culturas ancestrais do Himalaya https://editoraranatharu.com.br/2025/06/11/memorias-texteis-sem-fronteiras-uma-imersao-nas-culturas-ancestrais-do-himalaya/ Wed, 11 Jun 2025 17:16:17 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=2119 A realização desta pesquisa etnográfica sobre os cenários têxteis dos antigos povos do Himalaya está fundamentada na necessidade de preservar um rico patrimônio cultural

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Memórias Têxteis sem fronteiras: uma imersão nas culturas ancestrais do Himalaya

• Projetos

A realização desta pesquisa etnográfica sobre os cenários têxteis dos antigos povos do Himalaya está fundamentada na necessidade de preservar um rico patrimônio cultural e de entender melhor as complexas interações entre tradição e modernidade, contribuindo não só para a documentação e valorização dessas práticas, mas também para o diálogo mais amplo sobre identidade cultural, sustentabilidade e os desafios enfrentados por comunidades em transformação.

O intuito é de não apenas registrar essas práticas, mas também apoiar o resgate de técnicas esquecidas, que podem ter relevância contemporânea, seja no âmbito artístico, econômico ou sustentável.

Esta pesquisa se inicia pelo Nepal, um país com rica herança têxtil, com tecidos tradicionais como pashminas, dhaka, newari e outros artigos tradicionais refletindo práticas antigas e expressões culturais. Elas variam consideravelmente entre diferentes grupos étnicos possuindo suas próprias tradições têxteis, cada qual com características específicas em termos de técnicas de tecelagem, padrões, cores e significados.

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Protagonistas no Nepal 2024 – 1a edição https://editoraranatharu.com.br/2025/06/02/protagonistas-no-nepal-2024-1a-edicao/ Mon, 02 Jun 2025 21:15:31 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=2186 Protagonistas no Nepal foi uma viagem experimental idealizada para pequenos grupos e para ser exploratória, leve, com imersão cultural

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• Viagens

PROTAGONISTAS NO NEPAL 2024 – 1a Edição

Protagonistas no Nepal foi uma viagem experimental idealizada para pequenos grupos e para ser exploratória, leve, com imersão cultural e diversos momentos dedicados à contemplação e produção de uma obra que registrasse suas emoções e memórias enquanto viajava.

Esta primeira experiência Rana Tharu realizada entre out/nov de 2023, estimulou o pensamento livre através de um roteiro flexível, da interação com moradores locais e de atividades culturais. Visitamos a capital Kathmandu, cidades próximas, lugares sagrados, fizemos caminhadas leves em áreas rurais. Participamos de workshops: culinária nepalesa, pintura de thanka, argila. Dormimos em monastérios, visitamos fábricas de pashimina e de tecelagem manual de tapetes de lã.

Todos voltaram encantados com a receptividade do povo nepalês, seus aromas, cores e paisagens exuberantes do gigante Himalaya.

Namastê! 

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Oficinas de Bordado Rana Tharu https://editoraranatharu.com.br/2025/06/02/oficinas-de-bordado-rana-tharu/ Mon, 02 Jun 2025 12:22:27 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=2126 Quando descobri o bordado como uma ferramenta de autoconhecimento, uma sensação de liberdade surgiu de forma espontânea e com a prática, os resultados foram legítimos.

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• Atividades voluntárias

Oficinas de Bordado Rana Tharu

Quando descobri o bordado como uma ferramenta de autoconhecimento, uma sensação de liberdade surgiu de forma espontânea e com a prática, os resultados foram legítimos. Fiz cursos (mas talvez nem precisasse), comprei alguns materiais (e ganhei outros tantos), adquiri algumas revistas e livros como referências e me senti realizada com a prática do bordado livre, onde o avesso faz parte da obra.

E se deu certo para mim poderia dar certo para os outros. Então decidi oferecer oficinas gratuitas de bordado. Os depoimentos foram incentivadores e percebi que estava no caminho certo. Tanto é que passei a ser convidada para conduzir oficinas de bordado com diferentes públicos.

 

“Bordado livre é um caminho bom e agradável no universo das manualidades. É uma mistura de técnica, amor e ousadia.”

(Matizes Dumont)


Uma delas foi o projeto com alunos do sexto ano (6A, 6B, 6C e 6D) da E.E. Olga Benatti em São Paulo, uma iniciativa do prof. Saulo Brandão com o apoio da coordenadora pedagógica Marcia Guerrise. 

100 alunos da disciplina Projeto de Vida se reuniram para desenhar e bordar uma árvore onde as raízes representassem sua família e a árvore propriamente dita representasse o próprio aluno. Durante as oficinas, os professores poderiam observar alguns aspectos emocionais de seus alunos e isso os ajudaria de alguma maneira.

A reverberação foi tanta que até os professores de outras disciplinas também quiseram participar da maratona de oficinas de bordado.

Todos podem!

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Uma vivência na casa de uma família nepalesa Rana Tharu https://editoraranatharu.com.br/2025/05/29/uma-vivencia-na-casa-de-uma-familia-nepalesa-rana-tharu/ Thu, 29 May 2025 13:57:06 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=2058 Fui visitar os Rana Tharus e tive a oportunidade de confirmar a escolha do nome da minha editora.

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• Viagens

Uma vivência na casa de uma família nepalesa Rana Tharu

Fui visitar os Rana Tharus e tive a oportunidade de confirmar a escolha do nome da minha editora.

Em novembro de 2023, tive a oportunidade de passar oito dias, por meio da Community Homestay Network (www.communityhomestay.com), com uma família Rana Tharu (distrito de Kanchanpur, cidade de Mahendranagar). Foi a realização de um sonho que me acompanhava há mais de duas décadas, desde o dia em que vi imagens das mulheres dessa região numa revista francesa.

Nessa ocasião, pude costurar manualmente uma blusa usando retalhos de tecidos coloridos sob a orientação da anfitriã Gomati Devi, no real  estilo Rana Tharu.

A experiência foi maravilhosa! Fui muito bem acolhida pela família e pelos vizinhos. Postei um pouco dessa vivência na minha página @scpalma no Instagram. Mais especial ainda foi a confirmação de que minha editora seria batizada como Editora Rana Tharu – juntar retalhos de tecidos é como recolher fragmentos de memórias; escolher a paleta de cores é como definir as referências de  estilo que o livro será editado; costurar os retalhos com paciência e atenção é como editar os textos, parágrafos e lembranças de quem me conta duas memórias.

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Minha morada https://editoraranatharu.com.br/2023/06/19/minha-morada/ Mon, 19 Jun 2023 13:29:56 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=1089 Um pequeno deck ao lado da cozinha se torna um refúgio aconchegante, cercado por plantas e árvores, onde o autor encontra paz e inspiração.

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Sandra Palma, 12 de junho de 2022, Araçariguama

Minha morada

Há meses não sento num dos meus banquinhos prediletos e este fica no deck ao lado da cozinha. Uma área quadrada, pequena se quiser medir para registrar, mas enorme se quiser sentir o que sinto quando sento aqui. Sinto que as plantas me acolhem como um abraço apertado neste canto da casa.

À esquerda, meu querido pé de café (não, não é arábica) já tem dois metros de altura e preciso colocar uma escadinha para colher as cerejas. E agora é época. Ano retrasado colhi seis litros de grãos bem vermelhinhos, deixei secar, limpei um por um com uma faquinha (não tenho espaço para uma máquina beneficiadora), deixei os grãos limpos secarem mais um pouco e guardei numa linda lata como o bem mais precioso do mundo. De vez em quando dou uma olhada para ver se não tem caruncho. Não quero dividir com eles meu tesouro, já basta os jacus que hora ou outra estão por aqui. Quando estou precisando de dengo me dou de presente uma xícara do “meu café”, não sem antes perfumar todo o chalé com o aroma dos grãos torrados e passar pelo moedor elétrico. A cafeteira é italiana. Que delícia! Mas este ano a safra será menor.

Ao lado dele há uma pitangueira esguia que deve estar com mais de seis metros de altura em busca do sol. Os espertos saguis usufruem de seus saborosos frutos em maior quantidade que eu. Salvo alguns. Os três pés de eucaliptos estão fortes, altos, também esguios.

Talvez tenham uns 40 metros e são meus protetores. Uma tríade. Já causaram reações adversas aos meus vizinhos que, por temor a queda, um dia talvez, registraram uma queixa para que eu os podasse. Reclamação negada com laudo técnico de um engenheiro florestal e equipamento alemão de alta precisão a um custo alto também. Não meço esforços para salvar uma árvore. Ele entende de saúde de árvores mais do que meus vizinhos temerosos e garantiu que estão saudáveis por dentro e por fora.

Para cair , só mesmo com um vendaval único na história de Araçariguama, mas aí não sobrariam chalés de madeira em pé para contar a história.

À direita plantei lima da pérsia e limão siciliano, ambos muda de enxerto e logo deram frutos. Alguns anos mais, outros nem tanto. Acho que a safra é assim mesmo, imprevisível, gera fruto quando quer. As caipirinhas ficam mais saborosas com a lima recém colhida e faço licor com os sicilianos de aroma inconfundível – um limoncello de cair o queixo e pedir bis. Não gosto de apanhá-los, prefiro recolher do chão quando o pé os derruba naturalmente. Acho que a planta-mãe é mais sábia do que eu. Ao lado, num vaso, plantei kinkan. Já deu bastante nos anos anteriores e fiz compota dos deuses, mas este ano resolveu ficar mirradinha e perdeu as folhas. Fruto não deu. Decidi fazer uma poda radical (podar é algo ainda difícil pra mim, requer coragem) e ela agradeceu. Funcionou! Está cheia de folhas novas e verdinhas, num jovem verde claro. Ano que vem tem compota de laranjinha kinkan com cachaça, imagine só.

Ainda nesse pequeno deck tenho uma mini horta acomodada numa caixa feita com capricho e com sobras de madeira da construção da casa. Foi feita sob medida, é bem pequena, não caberia maior. A colheita é alternada e suficiente para o deleite de uma pessoa pouco gulosa: espinafre crocante, folhas de couve fresquinhas, berinjela (tem uma linda no pé e logo será recheada e irá ao forno), tomatinhos fáceis de cultivar, é só soltar as sementinhas ali e deixar o resto com a mãe natureza. Tenho concorrentes para dividir o consumo da pequena safra – lagartas, gafanhotos, lesmas… mas não me importo. Me fazem companhia. Os quatis, na sua rota diária, também transitam pelo espaço, mas por sorte ou paladar dos bichinhos, não se interessam por nada disso, só pelo mamão formosa que nunca consigo vê-los amadurecer. Os famintos os comem verde mesmo!

Nos vasos menores e espalhados pelo chão encontram-se alguns temperos. Dizem que devemos comer todos os dias alguma coisa colhida na hora, então os temperos me ajudam a manter essa prática. O visual colorido vem das flores que nascem espontaneamente aqui e acolá, algumas eu planto e outras nascem por conta própria. Oito anos morando aqui já aprendi que as daqui se dão melhor aqui do que as de lá. As de lá não se adaptam bem aqui. O rododendro do Nepal morreu… acho que precisa de mais altitude e mais frio, muito mais de ambos, isso sim! Então não tenho rododendro aqui. Só fotos dele lá.

Hoje aceitei o convite das minhas plantas companheiras. Estamos conversando há horas enquanto os jacus se acomodam nos altíssimos galhos dos eucaliptos para pernoitar, as maritacas fazem sua algazarra rotineira voando de uma copa à outra, a família de saguis pula ligeira de volta à sua morada e eu busco papel e caneta para escrever esta crônica.

Aqui é minha morada!

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Um processo de descoberta https://editoraranatharu.com.br/2023/06/18/um-processo-de-descoberta/ Sun, 18 Jun 2023 18:01:45 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=1254 Penso que todos nós, em algum momento de nossas vidas, e motivados por questões distintas, sentimos uma forte necessidade de buscar o “colo” da nossa mãe.

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A capacidade de estabelecer limites é a maior prova de liberdade” (Acciolly)

UM PROCESSO DE DESCOBERTA

Penso que todos nós, em algum momento de nossas vidas, e motivados por questões distintas, sentimos uma forte necessidade de buscar o “colo” da nossa mãe. Já fiz isso várias vezes e desta vez não foi diferente! Atravessando um momento de vida perturbador, de profunda tristeza e com muitas perguntas a serem respondidas, senti necessidade de buscar “algo” que me trouxesse um maior equilíbrio emocional. Depois de muito refletir, chorar, contar, escrever, acabei chegando no bordado. Este simples fazer manual me transportara imediatamente e carinhosamente à época em que era menina e ficava horas ao lado da minha mãe, na garagem nos fundos da casa onde morávamos em Pirassununga. Hoje entendo que era seu ateliê. Me lembro da máquina de costura, de uma grande mesa de apoio e de muitos tecidos, feltros e linhas coloridas. Passava horas ao lado dela fazendo meus pequenos bonecos de feltro. Quando volto à este tempo sinto uma sensação muito prazerosa e nostálgica.

          Então, resolvi resgatar este cenário acolhedor e fui visitá-la. Lhe contei o motivo pelo qual estava ali, disse que queria fazer um pano de amostra e lhe pedi que me recordasse os pontos básicos de bordado: ponto atrás, ponto haste, ponto alinhavo e nó francês. Neste mesmo dia, passei horas a fio relembrando os movimentos da agulha que iam deixando o tecido bem repuxado, cheio de franzidos, pois os músculos das minhas mãos estavam enrijecidos e os movimentos eram um tanto quanto desajeitados.  Naturalmente as imagens e sensações da garagem da casa em Pirassununga vieram de forma intensa, prazerosa e inusitada para mim. Estava despreocupada com o resultado final e não tinha qualquer compromisso de data de entrega. Isso foi um alívio, diante de tantas preocupações da vida cotidiana. Me deixei levar pelo clima que me cercava e a cada movimento das mãos eu podia apreciar com alegria a imagem ia surgindo, vagarosamente, de forma viva, alegre e vibrante. Em algum momento, ignorei o risco à lápis que havia feito no tecido e deixei minhas mãos trabalharem livremente. Isso me trouxe uma sensação diferente, de descoberta, até de suspense ao ver os alinhavos iniciais irem se transformando pouco a pouco em algo não planejado.

Depois de dois dias de entrega a este fazer manual, finalizei minha “obra”. O resultado nos trouxe certa curiosidade a ambas, pois era muito diferente do tipo de bordado que ela e minha avó sempre fizeram, e que eu sempre as vi fazendo. “Aquilo” não foi uma copia de nada ou de ninguém! “Aquilo” saiu de dentro de mim.

Isso me fez parar, refletir um pouco e voltar para casa carregando, além da sensação de colo de mãe que eu fui buscar, trouxe uma sacolinha com retalhos de tecidos, fitas de diversos tipos, linhas de várias cores e espessuras, muitas agulhas, alfinetes, papel carbono e uma enorme sensação de paz que eu há tanto tempo buscava.

Teria descoberto algo importante? Me ajudaria em algo? Daria continuidade? Certamente, não tinha estas respostas.

Sem ter a mínima ideia de onde eu iria chegar, mas com a genuína intenção de descobrir coisas novas e de navegar por outros mares, comecei a bordar tudo o que via pela frente. Fiz muitas pesquisas, tão disponíveis em plataformas online e comecei a salvar alguns modelos de bordado que me agradavam: seja pelo desenho, seja pelas cores ou pelo tipo de suporte e material utilizado. Passei a criar uma biblioteca de referências. Pensava “Um dia tudo isso vai me ajudar em algo”. Descobri que há muita gente bordando, e que há diversos estilos de bordado pelo mundo.

“Uma grama de prática vale mais do uma tonaleda de teoria”

(E.F. Schumacher)

 

Aos poucos as pessoas ao meu redor e até as que me acompanhavam nas redes sociais, começaram a manifestar interesse, a me incentivarem a continuar neste caminho e este interesse por parte delas me fez acreditar que tinha algo interessante ali, sem saber exatamente o quê.

  • Quero suavizar meu trabalho de patchwork, ele é muito simétrico.
  • Quero desenvolver minhas habilidades manuais e terapêuticas por meio do bordado e eternizar a representação das minhas orquídeas.
  • Quero enfeitar a parede da minha casa nova e fazer almofadas.
  • Quero fazer sacolas e bolsas bordadas.
  • Quero aprender algo novo para poder me expressar.
  • Quero passar uma tarde batendo papo, trocar ideias, compartilhar conhecimento.
  • Quero aprender novos pontos e eventualmente misturar com meus trabalhos de aquarela.
  • Já sei bordar, mas seu trabalho é inspirador.
  • Quero descobrir minha própria potencialidade.
  • Quero trabalhar minha ansiedade.
  • Quero exercitar a paciência.
  • Gosto de arte em geral e quero aprender uma nova técnica.
  • Quero experimentar, pois sei que exige foco e concentração.
  • Quero aprender para poder presentear pessoas especiais.
  • Quero bordar a amizade.
  • Quero fazer porque gosto de trabalhos manuais.
  • Quero fazer porque agora sou avó.

Todos estes depoimentos me mostraram que são inúmeras as motivações: aspectos técnicos, apenas um passatempo, um motivo para se reunir e também tratar suas próprias questões comportamentais e emocionais. Em resumo, queriam passar algumas horas dedicando-se apenas ao manuseio de tecidos, escolha de cores de linhas e tipo mais adequado de pontos.

Um comentário se repetia a cada encontro e isso me chamava muito a atenção: “Nossa! Não pensei que seria capaz!” Fico pensando em quantas pessoas ainda não sabem do que são capazes de fazer. Mas, o que as impediria de experimentar? Medo? Vergonha? Timidez? Trauma? Falta de interesse? Ausência de coragem?

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Palestra – Jornada do Ser – 1º Congresso GIAH – Junho de 2023 https://editoraranatharu.com.br/2023/05/18/palestra-jornada-do-ser-1o-congresso-giah-junho-de-2023/ Thu, 18 May 2023 19:29:31 +0000 https://editoraranatharu.com.br/?p=1 A autora expressa sua jornada pessoal de bem-estar físico, mental, espiritual e emocional, compartilhando suas experiências e práticas terapêuticas.

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Palestra – Jornada do Ser – 1o Congresso GIAH – junho de 2023

Como conquistei meu bem-estar físico, mental, espiritual e emocional

Obrigada pelo convite para participar deste congresso sobre a jornada do ser.

Me sinto muito honrada.

Espero que ao final da minha apresentação, vocês saiam com alguns insights inspiradores!

Já de inicio, gostaria de esclarecer e alinhar as expectativas de vocês declarando que não atingi 100% de bem-estar e nem sei se isso é possível. Ainda tenho muito o que aprender sobre mim, sobre o inter-relacionamento e interdependência entre os seres, sobre a natureza das coisas. Mas consigo afirmar que estou num bom caminho, que observo minhas transformações, que tenho mais consciência de mim e do meu entorno, que me sinto mais plena do que em décadas anteriores. Numa analogia, costumo dizer que “já tirei o mato alto, já consigo ver onde estão as ervas daninhas, já separo as melhores sementes para plantio, já coloco adubo na quantidade certa que é pra não matar a mudinha”.  

E em segundo lugar, considero importante esclarecer “o que” eu chamo de bem-estar, porque pode ser diferente do conceito que vocês tem: para mim, bem-estar é “estar bem”. Estar bem comigo mesma. Estar bem com as adversidades, com os eventos inesperados, com a falta de controle quando não há controle. Estar bem quando nada parece dar certo. Estar bem no trânsito parado de São Paulo. É me aceitar na minha natureza, na sociedade em que vivo, nas oportunidades que me são propostas. É valorizar as pessoas que me oferecem ajuda e até as que me provocam um olhar diferente e muitas vezes desconfortável.

Também é importante salientar que se trata de um processo longo, que dura a vida toda, que não tem fim. Que exige muita atenção, dedicação e paciência. Pelo menos é assim que eu vejo e faço. Portanto, não cai do céu num passe de mágica e não tenho uma cartilha com os “10 passos para o sucesso”… espero não tê-los desapontado com esta afirmação. É fruto de muito investimento em autoconhecimento. Sou humana como todos vocês! Não é?

Vou dar um exemplo. Quando encontro um conhecido, que faz tempo que não o vejo, ele me pergunta “Sandra, como tem passado?”, eu respondo e explico – “minha saúde está em ordem, minha família está bem, moro num local agradável, colho frutas e faço geleias.

Minha vida profissional passa por algumas adaptações depois da aposentadoria. Estou sempre fazendo um curso de  assuntos que me interessam. Tenho lido cada vez mais. Alguns projetos estão em andamento e outros, ainda no campo das ideias. Minha vida afetiva está em paz  e as finanças sob controle. Continuo com planos de viajar, ouço Eric Clapton todos os dias e adoro um cálice de uma boa bebida… alcoólica, naturalmente. Quando fico “de mal com a vida”, saio para caminhar, ando descalça, faço podas no jardim, bordo, escrevo ou agendo uma consulta terapêutica com métodos pouco tradicionais. Não tenho do que reclamar.”

O que vocês acham? Consegui resumir o que eu quero dizer com “estar bem”?

Confesso que a maturidade me ajudou a achar o meu lugar neste mundo. E foi muito libertador. Maturidade é um processo natural pra todo mundo, sem mistérios. Num certo momento da vida, as peças do quebra cabeça vão se encaixando perfeitamente.

Então, tenham paciência se ainda não chegaram lá, se ainda não se sentem tão bem em algum aspecto da sua vida. Um dia tudo fará sentido. E o meu caminho não é o seu caminho, então não adianta “copiar a Sandra”. Cada um per se, como diz meu pai.

Vou contar um segredinho: quando tenho uma questão que me incomoda, viro um drone de mim mesma: começo me observando, depois me vejo em casa, aí eu saio de casa e me vejo no condomínio, sobrevoo a cidade de Araçariguama, o estado de São Paulo, o Brasil, vejo a América do Sul, percebo que estou no Ocidente de algum marco pré-estabelecido pelo homem, e vejo o planeta Terra, bem azulzinho. Expando minha atenção e consciência para o todo. Reflito e volto a atenção para a questão que me incomodava e imediatamente ela muda de dimensão – pra mais ou pra menos. Ajuda a tirar o mimimi. Pra mim, esta técnica funciona. Não sei como é com vocês, mas podem tentar se tiverem curiosidade. Depois me contem.

Outra coisa importante é que tudo acontece aqui e agora. Uma conquista não está separada da outra – o físico não está separado do mental; o emocional não está separado do espiritual, e assim vai.

Vou contar um pouco do que realizei e que eu acho que estão relacionadas aos meus bem-estares.

Começando pelo meu bem-estar físico, sempre fui muito ativa, desde criança. Lá pelos 25 anos, depois de experimentar salto de paraquedas, mergulho autônomo e escalada em rocha, encontrei na prática de trekking a verdadeira sintonia com minha essência e com a Natureza. Realizei longas travessias com mochila nas costas, dormindo em barraca, tomando banho em rios. Esta foi minha prioridade e necessidade por duas décadas. Meu corpo pedia movimento, estresse, fadiga e eu o atendia.

Depois, vieram as corridas de rua e pedaladas.

Com tanta prática, fui aprendendo sobre minhas limitações físicas e sei que ter chegado até a base do Everest ou ter corrido meia maratona em 1h55 foram meus limites. Já com o avanço da idade e percebendo minhas mudanças hormonais e físicas, passei a praticar algo mais leve – taichi e yoga. Não adiantaria forçar a natureza. Atualmente, coloco meu físico em movimento fazendo a faxina de casa, podando a cerca viva com um tesourão ou caminhando pelo bosque do condomínio. E está tudo bem!

Procuro ter uma alimentação saudável e adequada ao meu biotipo.

Sinto o que meu corpo rejeita e o que ele prefere.

Não tomo remédios, raríssimas vezes vou ao médico, faço exames de rotina a cada 10 anos… sei lá, perdi a conta. Os resultados são sempre excelentes, com taxas compatíveis de saudabilidade. Me dizem que “estou jovem” ou até melhor do que pessoas com menos idade que eu. Acho que é um bom indicador de bem-estar físico. Outros indicadores são meu intestino e qualidade do meu sono, e estou sempre monitorando.

Além da prática esportiva e alimentação, meu bem estar físico também está associado ao ambiente em que escolhi viver. Depois de morar 30 anos em um apto em São Paulo, decidi mudar para um local onde as casas são todas de madeira, muitas árvores, ruas de terra, pomar e diversos animais silvestres. Uma delícia para quem gosta. O projeto de construção da casa foi feito baseado nos conceitos de  feng shui. Então, a disposição dos cômodos, os móveis, as cores, os elementos, estão “adequados” à minha data de nascimento. Todas as pessoas que me visitam declaram que ela é agradável, acolhedora e promove tranquilidade. Pra mim, este é mais um indicador.

Quanto ao meu bem-estar mental, acredito que é resultado do meu interesse pelos estudos. Sempre gostei de estudar. Me formei em Análise de Sistemas, segui a carreira corporativa em áreas de TI, em empresas multinacionais em São Paulo, aprendendo novas tecnologias, metodologias, conquistando certificações técnicas importantes para minha área de atuação. Minha rotina no trabalho fortaleceu o raciocínio lógico, organização de informações, objetividade, análise estatística, gestão de projetos. Mesmo agora, continuo estudando e trabalhando, mantendo minha mente ativa.

Quanto ao bem-estar espiritual ou o estar bem espiritualmente, acho difícil conceituar isso. Costumo definir como “acreditar no invisível”, acreditar que há algo que me mantém viva neste corpo físico, acreditar que nem sempre há explicação para tudo, acreditar na energia que me mantém ativa e conectada à Natureza dos seres e das coisas.

De fato, trata-se de uma tentativa de explicar o que não precisa ser explicado.

O que posso afirmar é que eu tive duas fortes experiências que eu chamo de “vida passada”, as quais meu corpo de comportava como se estivesse sobre uma forte influência de outros ambientes, de outras atmosferas, de outros lugares, de outras épocas, me causando medo, frio, fome, de uma forma não comandada por mim. Bem, a reverberação disso tudo é muito longa, não caberia aqui. Mas o fato é que eu associo isso a uma forte conexão com minha espiritualidade.

Naturalmente, estas experiências me levaram até as escolas filosóficas: sufismo, budismo, hinduísmo, espiritismo, taoísmo. Para algumas eu dediquei anos de estudo e prática; para outras, apenas leituras, convivência e alguma curiosidade. Não sigo nenhuma religião, apenas aplico alguns fragmentos de seus ensinamentos no meu dia a dia.

Meu indicador de bem-estar espiritual é sentir que sigo meu coração, minha intuição, minha alma.

E por último, quanto ao bem-estar emocional, posso afirmar que faço uso do que eu chamo de “ferramentas terapêuticas alternativas”, como leituras de oráculo, mesa quântica, radiestesia, cristais, leitura de trânsito no calendário chinês, mapa astrológico, astrocartografia, reiki, tethahealing, constelação familiar, entre tantas outras. Então, quando sinto que perdi o Norte de vista, agendo uma consulta. Me ajuda muito!

Além delas, há poucos anos encontrei uma poderosa ferramenta de autocura e conexão com minhas emoções: o bordado livre. Não é à toa que existe arteterapia. Através de agulhas, pontadas, tecidos furados, recortados, as vezes enrugados, eu aprendi a colocar pra fora o que me incomoda emocionalmente. Bordar me traz um grande alivio e consequentemente, um ótimo bem-estar.

E é isso, pessoal!

Esta é uma parte da minha trajetória, do meu conhecimento, das minhas verdades. Sou o resultado disso, sem planejamento. Estas e outras ações me trouxeram até aqui, me fizeram ser o que sou hoje. Sei que a manutenção, sustentação e crescimento, sempre pra melhor, assim espero, dependerá das minhas motivações e intensões.

Um fragmento disso tudo está registrado em dois livros de minha autoria: “Expedição Kali Gandaki – a 1a Expedição feminina brasileira ao Upper Mustang, Nepal” e “Mãos, Mente e Coração – A Jornada de uma Mulher Feliz”.

E para finalizar, inquieta que sou, conto pra vocês que decidi iniciar este ano uma nova carreira, construindo uma editora independente – Editora Rana Tharu,  que inclusive apoia esta iniciativa, o 1o. Congresso Internacional de Bem-Estar e Espiritualidade promovido pelo GIAH.

Com a editora, quero eternizar memórias de família, trajetórias de empresas familiares, carreiras executivas, realização de sonhos, coletâneas de textos, poesias e tudo o que me der prazer em fazer.

Um vasto universo à minha disposição.

Um grande desafio em época de avanço digital.

E você, quando lhe perguntam “como você está?”, o que responde?

Sou Sandra Palma, escritora, viajante, fotógrafa, palestrante e especialista em gestão por processos.

Namastê!

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